domingo, 18 de dezembro de 2005

XIII - Ventura


Não ouses tu!
Não enlaces minha essência em tão pobres frases
Não derrube o cálice de minhas mãos com esses olhos teus
Não ouse trazer nos urros e nos berros e nos sussurros
Sequer um sinal de prazer
Sequer um sinal de loucura

Não finjas tu!
Que nada do que,por nós,foi destruído
Para você, não era nada,
nada do que dizes faz sentido
Não ache nessas contradições e suspiros e sorrisos
Sequer um algo mais a dizer
Do que os subentendidos de outrora

Teus gritos são enlaces
Ousadas vozes que me prendem ao desejo
Quebras o encanto com os mais impuros olhares
Trazes mais loucura à minha mente com teu beijo
Não venha me dizer que a verdade não te ataca
Tua paz será eterna,e tua alma,serena,
descansará no ópio em que embebo as nossas almas
Deixa o medo,mais uma vez,achar abrigo em ti.

O vermelho será a cor de nossos olhos
Enquanto o pôr-do-sol
Nos banhar e cobrir os corpos nus.

Não julgues tu!
Esses impulsos que combato com a alma
Toda essa loucura que me arranca a razão
É a carne apodrecendo se desfazendo nessas mãos fracas
Que ainda seguram com calma
O enredo tresloucado desta paixão

Não vivas tu!
Mais um segundo sob o véu da sanidade
A noite clama por nós
A Ventura será eternamente uma saudade
Refletida sob o mesmo luar
Tal qual ganhaste um espelho em meu coração

Teus suspiros são afrontas
Ao que um dia tive : controle
Sob essa pele,a fúria do desejo me consome
Força-me a dar,a ti,amores
Esses que te arrancam as vestes
Te largam em preces
Te purificam na liberdade

E,na cama suada,te largas
Entregue às traças
E não haverá mais ameaças
se tudo que me disseste foi verdade

Deixa o fascínio que sobre ti exerço
Se tornar a Ventura
O vermelho
O desejo
Se tornar o cárcere do teu coração.

José Augusto Mendes Lobato
18/12/05

Um comentário:

Luiz Mário disse...

pelo menos a filosofia do teu blog faz jus
"espero que se identifiquem com o que aqui escreverei" alguma coisa assim né?
aeuhaeuhae =D