quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Stijl


A dirty morning rose from your lonely eyes
And I have never seen it
This time you glance through windows,
But no one´s at sight
(No one, no one, no one, no one...)

You feel like something´s missing?
Let me guess what:
Your heart was just not beating
From one day to the other, it´s mother´s talk
Just once, just once – it´s time to sink
Just once, just once, just once, just once...

Cause you must fail
While i must try
You should never fade
I should always hide

While i follow
You have to stalk
Cause you´ve got the style
I´ve got the talk:

Feel free to descend from here.

(Again) you play the role of a worthy guy
Who´s never sure to mean it
Believer of good days which will pass by
Someone, someone, someone – lend a hand
Someone, someone, again…

Your life´s out of rail
It´s a hill you descend
You´re thrown in a cage
No one gives a damn
While i exist
You just pretend
Cause you´ve got the style
I got a life on my hands

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Higher


Acordou suada, com os pés e mãos trêmulos:
Levantou-se, sem ar, saiu correndo,
Abriu a porta do quarto, descobriu-se sozinha,
acendeu um cigarro, olhou pela janela,
Toda aquela gente lá fora,
Vivendo.

Lembrou-se de acender as luzes,
Ligou o computador, a televisão – seu maior alento,
Sentiu-se acompanhada, abraçada pelas imagens
Tateou a tela, riu, sentiu cócegas nos dedos,
A mão, o corpo inteiro, o peito, estavam
ardendo.

Doía-lhe a alma dormir tanto e, por tão pouco,
Não querer acordar:
Há dias sabia-se só e, a princípio, inteira,
Mas o tempo fez ver que uma parte de si
Desistiu, cansou-se, bateu a porta e a deixou ali,
Vazia, abandonada, mal cuidada, abatida:
Quase morta por dentro.

E, assim, de novo, deitou no sofá,
Voltou a apagar as luzes, trancou as portas,
Bebeu, fumou, cheirou noite adentro
Chorou por um filme qualquer, ligou para os pais
Desabafou, gritou, desligou o celular e, então, sentiu-se em paz,
Aquilo que, há horas, tomara para lhe tirar as dores
Agora estava doendo.

Mais uma vez, maltrapilha, dopada,
Deixou-se arrastar até a porta do quarto
Um último olhar para trás; já era madrugada
Toda aquela gente, e ainda mais gente, continuava lá fora,
Calor humano, gritaria, paixão, movimento;
Imagens de cor, imagens de torpor, imagens de vida;
Vai ver ainda tinha sentidos – ou sentimento.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

17th


Falaram-lhe da vida - tão curta!,
de arrependimentos, meias palavras e estresse,
do medo da morte, dos suores e das visões noturnas,
daquela gente que sempre está por perto
e que sempre diz algo que reforça, engrandece,
envelhece:

Acenou, consentiu, chorou,
orou, abraçou, riu,
por fim sorriu,
e disse a toda aquela gente tão soturna:

- De presente do acaso,
minha vida virou prece.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Decay


Abriu as janelas,
Deixou a lufada de vento entrar no peito
e, com toda a exigência da situação,
calou-se, cigarro em mãos;

Descansou um pouco,
Lembrou do que lhe disse,
Do que faltou ouvir,
Das lacunas, não-ditos, entrelinhas,
Pensou consigo mesmo:
Melhor assim,
O que convir!

Beijou o próprio punho,
Deixou atrás da porta o amor próprio,
O próprio respeito,
E, corpo saudável, mente limpa,
Jogou-se fora
Pela janela.
No parapeito.

sábado, 21 de maio de 2011

Thus


If you ain´t guilty enough:
rise up, buddy
It´s better to count the fingers pointed at you
than stay here, waiting for a friend
or someone to lend you a shoulder

Nowadays, being evil´s become an obligation:
the more you fail, the more you´re human
The more they say you´ve been tough,
dry and cold
So why´s it such a piss to understand
people don´t change
people just sometimes wake up estranged

If you ain´t comprehensive enough:
cheer yourself up, my friend
Even if some say the opposite, you´re growing stronger
It´s better to hunt and discuss the matters in you
Than playing naive, waiting for a mask
To fall from the faces of others

Guess some days you have
this unquestionable wisdom:
But, anyway, the more you´re wounded
the more you say it clearly, the more you´re misjudged

But, hey, why´s it so hard to understand?
People won´t change when menaced
people just need sometimes to feel embraced
understood, justified and somehow known by start

If you know you ain´t such a devilish thug:
Sleep calmly, my friend,
And try to comprehend the uncomprehension of those.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Diálogos I


- Tem uma velha discussão que adoras retomar:
qual a diferença entre arrogância e teor crítico
nesses tempos em que tudo se aceita,
que mediano é o melhor possível,
que não há - nem haveria - obra perfeita?

- Quando há algo a dizer, aí sim! - dizem uns senhores,
"é culpa de quem quer reclamar",
"Vai que o passar da juventude o mude", diz-se,
como se conformismo fosse igual a velhice,
como se fosse fácil, por si só, engolir tudo e (se?) calar;

- Muitas vezes pensei que deverias tombar,
dar de cara no chão, para se assumir falho como os outros,
pensei que tanta amargura fosse um dia destruir
esse jeito persistente, quase incapaz de se admitir
frágil, jovem, instável e - felizmente - errante.

- Pensa bem: se te digo, agora, cheio de certeza
que tenho consciência de meus erros, mas, do mesmo jeito,
não me faltam rancores, verdades na ponta da língua,
coragem - e não pessoalidades ou fraquezas!;
quem não o entende, a bem da verdade,
finge-se dono de si, mas não admite a própria precariedade,
mediocridade, falta de ego,
de autocrítica e respeito consigo mesmo!

- Ah, mas nunca foste destes,
talvez até para o mal, insististe em cobrar demais
de ti, dos outros: nesse tempo de tanta exigência
e, ao mesmo tempo, de tanta coisa errada, tanta decadência
quem sabe não estejas cansando a ti com tanto pessimismo?

- E quem disse que, um dia, me senti alheio a isto?
Aí está a diferença: não é não-sendo que nego tudo aquilo;
é, também, querendo - reclamando da roupa que visto,
das ideias que abraço, das raivas, dores e angústias que carrego,
que, aos poucos, te mostro o que me inquieta
tudo que me irrita, que me enfraquece;
é falando que me sinto digno de atenção,
é andando que me sinto na contramão,
é sendo ingênuo que vejo que, apesar dos pesares,
persisto.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

²


You listen:
They´re all just hooked up in expectations
Wouldn´t it be better if you were judged
Never murdered
by your own goddamn sensations

Much better to turn real
And watch the same old wheels
Turn, and turn, ´til they burn
Out all your simple-minded
expectations.

Expectations


Às vezes, cansado,
se deixa, sozinho,
dormindo, acordado,
ver o dia passar

Pela janela de casa,
pelas paredes do edifício,
às vezes abre os olhos,
às vezes dormindo
enxerga mais,
do que gostaria de encarar

Às vezes, frustrado,
reclama baixinho,
esperando, acordado,
o dia passar

No trabalho, em casa,
vê o quanto é mesquinho,
às vezes sonhando alto,
às vezes iludido,
quase sempre ridículo

Descobre que viver
é bem mais que (se) esperar.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

@


Desce o primeiro copo,
o primeiro cigarro,
a primeira ponta de cansaço
a preguiça, o marasmo
de pensar, retrucar, agir

O sono pesa, e o corpo
cada vez mais frágil,
cercado de gente(s),
sorrindo, cerrando os dentes,
desliza no assento, abre os braços
pede um abraço e se deixa levar;

Deixa estar:
o segundo é mais fácil
Vai ver, assim, seria sociável
Desce as entradas, os pratos,
a sobremesa, a porcaria do extrato,
a conta,
paga e vai embora

A porta de casa abre,
mas que diabo!, está tudo revirado,
essa bagunça sempre lhe dói na alma,
mas calma, calma, calma,
amanhã há de tudo amanhecer assim,
no seu lugar

Melhor rever o dia de olhos bem abertos, deitado:
quem sabe a dor, o vazio e o torpor, passados,
revelem a graça de estar tão só, tão fraco,
e a preguiça, o asco
de si mesmo se encarregam de fazer dormir

Depois, pega a condução atrasado,
tudo de cabeça para baixo, tudo engano,
tudo errado,
e, mesmo assim, indo, sem um ranger de dentes,
sem tempo para (re)pensar, (re)trucar, (re)agir

A vida despreza, e a alma,
cada vez mais volúvel,
cercada de gente(s)
fingindo, inconsequente(s),
acomoda-se na cadeira, larga a bolsa, os documentos,
mergulha nos tais sofrimentos
do expediente por acabar;

Deixa estar:
amanhã, nunca se sabe,
vai ver que, um dia, a agonia acaba,
Desce as escadas, acende o cigarro,
perde a direção com o carro,
ouve música bem alto,
para não se escutar

O mundo inteiro sabe,
só ele é que ainda se cansa,
consome a própria paciência:

Quanta pequenez,
quanta ignorância,
santa inocência!
Essa de querer dar de ombros
engolir tudo em seco
e, sem sobressaltos,
distribuir afagos,
sem pressa, sem atrasos,
a perfeição em puro estado,
vê-se semideus no espelho;

Mas, quando lhe deixam sentar a sós na mesa,
entregar-se a ela, à sua tristeza,
aí, sim, vê sentido na vida:

Pois vida é, sim, preguiça, é marasmo,
é cansaço, solidão, mormaço,
desvirtude e descompasso,
é a vida que pediu a Deus,
é a vida que ninguém aguenta,
mas que espera, talvez um dia,
conseguir para si.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sleep


You wake up all sweaty,
Hurt, crying histerically,
Like something happened, something´s happening
All the time you´ve been resting
This world has changed,
The tides have wiped us out

Now someone else´s waking
So calm, snoozing heartly
And you, you´re next to a breaking dawn
Sunlight´s like a beam of heat,
That brings you down
This life has managed
To make you feel, everyday, so without

And you think to yourself
Ain´t nothing better than sleeping.

Don´t you feel like it´s slipping?
Going out of control? – No,
It gets nicer as you close off doors and windows,
It´s a pleasant sky,
the one reflected on other´s eyes,
the one you´ve never seen,
where you´ve never been,
and will never be,

But, someday, you´ll wake up dreaming
Everything around just so strange
And unbelieving,
And you can´t speak or hear in a greater range,
Your heart beats fast, though your mind is slowing;
It´s time to lay down and forget
Your anger, your hopelessness, your pain,
Our souls, our goals, our own goddamn names,
Sleeping.