sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Tout

À vontade, empurrem-se desejos
e verdades, e saudades
e anseios afins:

Não que algo possa ser resolvido ao acaso
Mas, fazendo ou não estrago
não custa nada tentar, sim!

Às mesmas idas, completem-nas vindas
e passeios, ou viagens
aos mesmos lugares, então;

Não que a vida, em si, seja um mercado
Mas, se em meus bolsos há trocados
nada custa gastá-los nas mãos
(ou trocá-los)

Às almas sentidas, a bebida
Aos roucos por natureza, o cigarro
Aos loucos de amor, a comida
Aos heróis de outros dias, o álcool;

Aos fingidos, o sangue-frio
Aos velhos hipócritas, o meio-termo
Às mulheres livres, os abortivos
Aos homens que resistem, o espelho!

Às grandes vaias, o silêncio
À modernidade, a decadência
Aos revoltados, a impunidade
Aos inventores, a delinquência;

Aos loucos por natureza, a rebeldia
Enlatada, como que medida nos berros
Pois o que resta de grandeza na vida
É cachaça embebida em esquinas de versos!

- Às verdades, deixe que tenho-as comigo
elas não ferem, tampouco querem
fazer-se sentidas sozinhas;

Mas, se que faço sozinho, a mim, abrigo
não basta viver uma só mentira,
É preciso existir sem refletir
Inverter as verdades e trocar os ponteiros.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Gerúndio

Há cansaço, e nasce aos poucos,
nas muitas coisas que vou fazendo
- ou arrastando? Que versos loucos...
Não há mais fúria, nem sentimento
Em mim ou nos outros,

Pois somos poucos
dentro de muitos que vão se enchendo
- de tanta merda! Seríamos ela...?
Não há loucura, nem sanidade
Só há remendo
onde outrora vi vaidade.

Pois fomos loucos,
e, entre tantos, fomos crescendo
- à sombra de homens de bem,
Não os perdemos, tampouco tentemos
Esquecê-los

Eles, como meu sangue, minha pele e meus pêlos
São recortes de quem já não está mais aqui
Só há remendos, pequenos espelhos
e hoje só vejo neles pequenas saudades.