quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

VII - As cartas


Nem mesmo o pior dos cantos
Ou a mais suja das palavras
Ou o mais amargo dos sabores
Descrevem o que sinto quando
Descrevo esses círculos criando
Expectativas que vão se reciclando
Com cada carta que insisto em não abrir

Tento fazer de meus atos justiça
Mas pareço criar mais lacres na dobradiça
Que me separa da resposta
Que temo e quero tanto ler

Temo que a verdade seja apenas uma utopia
E que essa utopia jamais irei conhecer

Nem mesmo às mãos que confio
Ou às horas que atravesso
Ou aos medos que em mim gritam
Dedico minha coragem,no entanto
Toco a seda e perco todo o encanto
De ter uma carta e não querê-la abrir

Tento fingir a mim mesmo que sou louco
Mas o que me dói é saber que isso é normal
Que me separo forçado,afinal
De um punhado de palavras que não tento entender

Abro mão de descobrir o que sinto
Pois sinto o que abro mão de descobrir

Temo que o que sinto é um impulso
Que tudo que tenho no peito é uma ilusão que criei
Temo que esteja livre e nunca tenha amado
Temo que agora esteja conformado
Em não saber nem mesmo o que sou
Em não saber nem mesmo o que sei.

José Augusto Mendes Lobato

07/12/05

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O medo de amar,embora nunca tenha me atacado,
ataca a tantos que já até conheço-o por terceiros.Dedico
este a um amigo meu que sofre por não levar para o coração
o que planeja sentir.Dedico também a todos que por ora se
identifiquem.

Um comentário:

Luiz Mário disse...

pqp guto
=~