Sem pretensões, sem referências pseudoliterárias, sem joguetes verbais de grande complexidade, sem autores obscuros de referência, sem nada. Só escrita.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2005
VIII - Oito anos
Oito anos são perdidos
Numa redoma de repetições
De pleonasmos invertidos
Construímos nossas religiões
Nos julgamos decididos
Mas o que temos em nossas mãos
É sempre um prato resfriado
Já usado e mal lavado
Que mantém nossos pés no chão
Oito anos já nas urnas
Os nomes se repetem por convenção
Não temos mais no que acreditar
Até para odiar nos falta opção
Nós julgamos pervertidos
Quem não teme dizer não ao que restou
Ao que não faz mais sentido
Mas pelo visto o que nos sobrou
Senão mais oito anos refletidos
No mesmo espelho encardido de ilusões?
Mais uma década perdida
Entre promessas e esperanças vãs
Nos arrastando e abrindo as mesmas feridas
As mesmas vidas sentadas ao divã
Previsíveis
Repetitivas.
José Augusto Mendes Lobato
09/12/05
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