quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Live

You´d better
feel amused just to be alive and lie
under a sunny day,
not slipping through the shadows of a rainy night

Because everyone in here´s used to go by
those empty days of patient
awakenings and whispers
and unhealing promisses of a good night

But no one´s sleeping
For it´s such a long way down if you´re tired
You´ve got to shake hands, and swim in the quicksand
Until they notice you´ve done all but lied

And smiled in the face of those who can´t believe
you´re still believing.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A Seat

There you are,
swinging and running your fingers between trees,
you´re breathing slowly, the path is tightly
tied to the ghosts of your burned wings

Through hours of silence,
i heard your voice outstand the screams
you´re bringing down every concept
every part of you i had in me

Escaping, sliding through my hands
Your skin cracking,
demanding hours of uncanny dreams
This is your own river
You´re lost in there,
and don´t you know, it´s a long way to go
Until we meet something worth the price

Of these endless boundaries!

You took that car,
and went running through wastelands
you´re crying silently, just so defenseless
i could even wonder why you breath

But here you surprise us
you´re back in there with no good news
and they´ll wait for you
just until this dying soul is healed
inside the shadows of your decadent blues

Escaping, sliding down to your knees
Your smile cracking,
demanding hours of uncanny weeps
This is your only fear
You´re lost in there,
and don´t you know, it´s a long way to go
Until you fall asleep and dare

To feel hatred´s silent ecstasy.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Liga

Isto, sim, é o grito reincidente dos loucos
Isto, sim, é a tal poesia para poucos;

Pois há versos que se tornam verdades,
curvas, esquinas, arroubos de insanidade
que, pouco a pouco, fazem questionar
as próprias verdades de quem as cria,
as recria, as procria, as esfria,

E faz, das rimas, pequenas beldades
manipuladas, tocadas, violadas, vendidas
e, pouco a pouco, unem-se e fazem feridas
nos versos pudicos de quem as inventa
as emenda, as encomenda, fingidas,

Essa, sim, é a cólera berrante dos roucos
Essa, sim, é a tal da poesia para loucos;

Poesia que, certamente, não deixa este plano
de metáforas, meias-palavras e doces eufemismos
e assim, de hipótese, é mais um ato de altruísmo
ser falsa, medíocre, safada, fugidia,

Se há coragem em seu peito, fuja de qualquer poesia
pois ela nos pega, nos amassa, nos contorce
toda a objetividade nos foge,
e, pouco a pouco, nos faz, de novo jovens,
nos arranca o que há de homens e faz, da carne, hipótese
do mundo, martírio
da vida, pecado:

E, assim, pouco a pouco, regredimos nós à fantasia!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

12.3

É um arroubo de poucas palavras,
de uma expressão pulsante e lúdica,
dizer, assim, sem quaisquer medos,
sem eufemismos ou menções pudicas,

É algo que resume tanto silêncio
e exprime tão pouca angústia
pois, natural e vívido ao sair da garganta,
arranca do peito as contradições mais puras,

os paradoxos mais loucos,
as noites menos memoráveis,
a falta do que fazer, a correria
os fatos, inexoráveis

as imbecilidades cotidianas,
as trivialidades, medidas aos sorrisos e beijos
a certeza da decadência, a incubência
As falsas verdades e os inversos desejos

É um arroubo de três palavras,
que, assim, transformam dores minguantes
em uma pequena e única cusparada
Jovem, ardente, pulsante:

Vão à merda!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

12.2

- Dedução à parte, sempre imaginei que ias perdê-la em alguma esquina.

- Esvaiu-se da forma que veio, não pude ao menos despedir-me, tocá-la...

- E nunca a tocastes, na verdade!

- Sim, mas pensa bem, é mentira dizer que apenas passou,
ela como que me abandona, aos poucos me tira a liberdade
me arranca os instintos, torna-me um poço de sobriedade
e transforma-nos nesta sina, nesse tal de ciclo que jamais finda
mas, ao mesmo tempo, nos aumenta a idade...
Só sei que, de agora em diante, nada quero,
pois tudo pelo que lutei tornou-se defasado, fútil ou simplesmente errado,
só espero que, agora, ao menos, o tédio transforme-se em paz e tranquilidade!

- É como eu sempre te dizia, amigo,
sempre há a perda de alguns hormônios, pêlos da face, força, energia
mas o que faz do rodamoinho uma vida é essa perda de mocidade.

12.1

Me dizem que há algo de muito honroso
em fazer parte de uma tal minoria consciente:

Não, não serei parte dessa história
e não serei orgulho de mais ninguém
senão deixarei de ver ouro onde há cinza reluzente;

Não deixarei que prepotência finja-se de intelectualidade sóbria
e recomendo que ninguém mais o faça
caso tema o ódio e a inveja conseqüente

E não deixei que toda essa falsidade, essa memória
fizesse sentido a mim, vivo ou em pedaços

Eu não deixarei que vocês desfaçam o estrago
que a (quase?) vida fez em mim.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Captions from Belém:

Na rua, passos apertados, cachaça, berros e buzinas
cavalos no trânsito, technobrega ecoando ao fundo
na pista, um homem linchado, ônibus cortando o sinal fechado
Travecos e putas acotovelando-se nas esquinas;

Na praça, maconheiros, traficantes, flanelinhas e camelôs
um posto fechado da polícia, toalhas na grama, "piqueniques"
Coretos mijados e grupos de teatro ensaiando calados
entre pilastras art-nouveau, bares sujos e velhos hippies;

No porto, canoas velhas e velhos barcos,
azedume de peixes, rabada aguada, farinha e pinga
Estivadores, mendigos, aromas e cheiros regionais
Na mansão ao lado, violão e voz, pratos finos e burguesia;

Trinta graus a vinte e cinco, chuva rápida e calor constante
Cinemas fechados, teatros falidos, galpões de pagode e, não obstante,
sãos e loucos dividindo mulheres, homens e mesas de bilhar,
intelectuais e novos-ricos lendo os mesmos manuais amassados
De vivência, educação, cidadania, civilidade - ou não -.
que, acreditem, não deixam de ser ensinados,
e de por ninguém se deixarem ensinar.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

End of childhood

Lembras de quando sentiamo-nos únicos,
e do sangue que corria nos pulsos, outrora vivo,
que agora arrasta-se, hesitante, contra o peito;
Lembras de tudo que sentíamos?

Parecia-nos honroso viver perdidos
entre desejos conexos e idéias errantes,
como se o que nos resta de humanidade
clamasse aos berros, verdades,
que nos levassem a conclusões vis,
jovens, loucas, delirantes:

Garanto-lhes, homens de bem
Quando há um ponto final e muito a recordar
Algo de errado acontece,
e não é desespero, tampouco pesar,

É a certeza de que, antes de hoje,
sempre houve um ontem mais aconchegante.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Dezenove meses de...

Vivências, pequenas, mas não menos importantes
que, de meros retalhos,
tornaram-se pedaços de passos cantantes

Surpresas, essas, sim, digo a ti: tão grandes
lembram, aos poucos, que há cansaço
mas sempre espaço no mundo para novos amantes

Mesmo enquanto haja mormaço
em teus olhos, nos meus
há um azul relutante

E, por ti, sei que amar
Mesmo sem o saber
É escolha sem pesar,
e, entre eu e você,
já tenho muito o que recordar,
embora não precise o fazer,

Pois te amo, e, não obstante,
o clamo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Ville

Como gostaria de encontrar aquilo
Aquele monte de fumaça e comida fast-food
Aquela gente pálida, perdida,
como que vencida pela correria
Quilos de livros, cadernos e paredes azuis

Sentiria-me vivo ao acordar num susto
Atrasado sem jamais ter saído de casa
E aqueles carros, buzinas e espasmos
de gente berrando, se despedaçando
Sem nem ao menos ter saído do carro

Que ironia, pois aqueles loucos
Deus sabe!, eles sonham com um pouco de paz
Enquanto a gente, que vive enforcado entre árvores, arranha-céus e serpentes
Aguarda a história dar voltas e ver se, pra cá, alguém traz

Modernidade, cultura, vaidade, ruas largas, concreto cinza
Cinemas, bordéis, teatros, céus avermelhados em noites frias
Desespero, pressa, esperteza, correria diária, frieza, razão
Fumaça, fast-food, gente ensandecida, efervescência,
amor e poluição!