quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

²


You listen:
They´re all just hooked up in expectations
Wouldn´t it be better if you were judged
Never murdered
by your own goddamn sensations

Much better to turn real
And watch the same old wheels
Turn, and turn, ´til they burn
Out all your simple-minded
expectations.

Expectations


Às vezes, cansado,
se deixa, sozinho,
dormindo, acordado,
ver o dia passar

Pela janela de casa,
pelas paredes do edifício,
às vezes abre os olhos,
às vezes dormindo
enxerga mais,
do que gostaria de encarar

Às vezes, frustrado,
reclama baixinho,
esperando, acordado,
o dia passar

No trabalho, em casa,
vê o quanto é mesquinho,
às vezes sonhando alto,
às vezes iludido,
quase sempre ridículo

Descobre que viver
é bem mais que (se) esperar.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

@


Desce o primeiro copo,
o primeiro cigarro,
a primeira ponta de cansaço
a preguiça, o marasmo
de pensar, retrucar, agir

O sono pesa, e o corpo
cada vez mais frágil,
cercado de gente(s),
sorrindo, cerrando os dentes,
desliza no assento, abre os braços
pede um abraço e se deixa levar;

Deixa estar:
o segundo é mais fácil
Vai ver, assim, seria sociável
Desce as entradas, os pratos,
a sobremesa, a porcaria do extrato,
a conta,
paga e vai embora

A porta de casa abre,
mas que diabo!, está tudo revirado,
essa bagunça sempre lhe dói na alma,
mas calma, calma, calma,
amanhã há de tudo amanhecer assim,
no seu lugar

Melhor rever o dia de olhos bem abertos, deitado:
quem sabe a dor, o vazio e o torpor, passados,
revelem a graça de estar tão só, tão fraco,
e a preguiça, o asco
de si mesmo se encarregam de fazer dormir

Depois, pega a condução atrasado,
tudo de cabeça para baixo, tudo engano,
tudo errado,
e, mesmo assim, indo, sem um ranger de dentes,
sem tempo para (re)pensar, (re)trucar, (re)agir

A vida despreza, e a alma,
cada vez mais volúvel,
cercada de gente(s)
fingindo, inconsequente(s),
acomoda-se na cadeira, larga a bolsa, os documentos,
mergulha nos tais sofrimentos
do expediente por acabar;

Deixa estar:
amanhã, nunca se sabe,
vai ver que, um dia, a agonia acaba,
Desce as escadas, acende o cigarro,
perde a direção com o carro,
ouve música bem alto,
para não se escutar

O mundo inteiro sabe,
só ele é que ainda se cansa,
consome a própria paciência:

Quanta pequenez,
quanta ignorância,
santa inocência!
Essa de querer dar de ombros
engolir tudo em seco
e, sem sobressaltos,
distribuir afagos,
sem pressa, sem atrasos,
a perfeição em puro estado,
vê-se semideus no espelho;

Mas, quando lhe deixam sentar a sós na mesa,
entregar-se a ela, à sua tristeza,
aí, sim, vê sentido na vida:

Pois vida é, sim, preguiça, é marasmo,
é cansaço, solidão, mormaço,
desvirtude e descompasso,
é a vida que pediu a Deus,
é a vida que ninguém aguenta,
mas que espera, talvez um dia,
conseguir para si.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sleep


You wake up all sweaty,
Hurt, crying histerically,
Like something happened, something´s happening
All the time you´ve been resting
This world has changed,
The tides have wiped us out

Now someone else´s waking
So calm, snoozing heartly
And you, you´re next to a breaking dawn
Sunlight´s like a beam of heat,
That brings you down
This life has managed
To make you feel, everyday, so without

And you think to yourself
Ain´t nothing better than sleeping.

Don´t you feel like it´s slipping?
Going out of control? – No,
It gets nicer as you close off doors and windows,
It´s a pleasant sky,
the one reflected on other´s eyes,
the one you´ve never seen,
where you´ve never been,
and will never be,

But, someday, you´ll wake up dreaming
Everything around just so strange
And unbelieving,
And you can´t speak or hear in a greater range,
Your heart beats fast, though your mind is slowing;
It´s time to lay down and forget
Your anger, your hopelessness, your pain,
Our souls, our goals, our own goddamn names,
Sleeping.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Still


Estar assim é tão desconcertante, estranho
É quase como ver um filme sem legenda
Numa tela plana, frágil, descolorida
Quase como um cinema mudo, uma canção apática,
Uma voz reticente em meio a tanta gritaria;

Vencê-la sozinho é, talvez, impossível,
Doem as não-mudanças, as inércias, as frases repetidas,
As oscilações súbitas, as dores do peito e da alma,
A perda da paz de espírito, da calma,
Débeis e opacos são os caminhos que, para vencê-las, percorria;

Estar sozinho, às vezes, é um incômodo
Um convite à dor por vezes cansativa
De se encontrar, sempre, preocupado
Consigo, com os outros, com as idas e vindas
De ideias recorrentes, deprimentes,
perturbadoras e doloridas;

Estar contigo, porém, traz conforto,
Faz enxergar o quão pequenas
São as problemáticas, as preocupações,
Quando amor – que, diz-se, tudo vence –
Há de sobra,
E sobram, também, carinhos, afagos,
Mãos dadas e pequenas frases-poemas;
E poesia.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Han


Escolheu a melhor roupa,
decorou as falas, vírgulas e pausas
confirmou cada frase e, quem diria,
fê-las sair da boca charmosas,
pomposas, doentias, de tão falsas;

Teme a hora de dormir,
mas prefere deitar a ouvir - ver - os outros,
cansam as vozes, as respostas, os temas duradouros,
melhor deixar o peito arder e descansar,
tenso, dolorido, frágil, de tão conturbado;

Tem medo de tanta coisa,
desgasta-se tão à toa,
que pouco percebe a sensatez vagarosa
indo embora, silenciosa,
e, de novo, recomeça:

- Bom dia?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

#2


Todo dia acordava, a mesma menina,
enrolada em papel, na marquise de algum lugar,
vestia a mesma roupa, lavava o rosto, e andava, andava
no viaduto chegava e sentava sem falar;

Passava o dia calada, às vezes nem queria,
rastejava, ia e vinha, escutava - ouvia, até, sem reclamar;
dez picos depois, acabava a rotina,
deitava no chão e sentia, tranquila, que o dia já ia terminar;

Sozinha, rezava em voz baixa qualquer coisa,
mais por hábito (inércia?) que por acreditar;
de manhã, de novo, estava sozinha,
desta vez o sol já batia
tirava os trapos com que se protegia
daquele frio que só a rua lhe podia dar.

Assobiava, rosnava - falar, jamais - à gente que passava,
pedia qualquer coisa e ganhava um pouco mais,
corria pro mesmo viaduto,
sentava só, naquele canto escuro,
e torcia para que o dia, de novo, não tardasse a findar;

Todo dia pensava no quanto era sofrida,
no quanto o batente lhe doía
as pernas, as coxas, as costas, as mãos,
Mas chega de devaneio:
dessa vez, a noite era fria,
catava de novo os trapos, os panos, os papéis que nunca lia - não o sabia -,
deixava-os sobre a pele cansada
e voltava a se cansar.

Belo dia, acordou mais cansada que de hábito,
com vontade de falar, perturbar a ordem,
se fazer percebida - espernear;

Andou um pouco mais até a via expressa,
desviando da própria vida,
e, entorpecida, esquálida, histérica,
se jogou e se deixou - em paz - descansar.

#1


Não é difícil se impressionar
com tantos vaivéns, tanta gente, tanta pressa, tanta rua, tanta pista:
há certo charme em, por aqui, se perder - andar,
dar de cara com o inesperado,
talvez um novo bairro, imenso e isolado,
cercado de mais gente, mais vais e véns, mais vielas e avenidas;

Talvez seja mais fácil só olhar
e, à distância, fingir desprezo,
do que encontrar, entre as curvas, algum charme,
alguma beleza por trás do aço-e-concreto,
um parque, uma pracinha, uma calmaria,
uma tarde chuvosa e fria, uma entrada de bulevar;

É, no fim das contas, vale a pena
gostar - amar - tudo isso, mesmo que sem qualquer sutileza
talvez o melhor seja viver atrás da tal beleza
(que se esconde) em dias, ou madrugadas - ou vidas inteiras -,
tão belas e, ao mesmo tempo, tão pequenas.

domingo, 2 de maio de 2010

Pretensão


É tão fácil, mas tão fácil
presumir que todos são assim, vis e inconsequentes;
irresponsáveis travestidos de jovens promissores e emergentes,
fugitivos de sua própria vida, do dia-a-dia quente daquela cidade esquecida, inóspita,
calorenta, fracassada, falida,
deprimente

É tão fácil - mas nada válido -
criticar, generalizar, aproveitar a tal postura crítica e valente
para disparar todo tipo de observação, ponderação - asneira,
como se a vivência não falasse tão alto quanto a pretensão
de muito julgar, avaliar,
falar pelos cotovelos e para quem quiser ler
que todo viajante, migrante, é louco,
que todo cuidado é pouco
à hora de fazê-los encarar
a vida de cão que se insinua à frente;

Talvez veja assim por preguiça de se explicar,
ou avaliar as próprias ideias,
ou, quem sabe, generalizá-las demais tenha lá seu charme;
A verdade é que - doa a quem doer -
há aquele cheirinho de frustração no ar,
aquelas meias-palavras e citações cheias de mal estar
de quem por falta de oportunidade - ou coragem - ficou por lá
e agora vive assim, a si e aos outros remoendo

Inveja,
ou raiva,
ou ciúmes,
ou a consciência de que está brigando com tudo e todos,
talvez consigo.
E perdendo.

* Recadinho sutil. Como diria uma amiga, "Deus abençoe os chatos, pentelhos, imbecis e etc. de plantão".

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Town


There´s something beautiful in silence
And that´s so hard to discover
When you look at the window and, everyday,
there´s a mess ´round your eyes
that´s when you see
you judged a whole book by its cover;

This town´s so easy and charming
She´s conquered your heart, your mind and soul,
But ain´t there some charm in that good old damn town,
so dirty and dangerous and uncanny and forbidden
but you know - there, you just can´t go;

Feels good to be on your own,
sketching your own low drawings,
losin´ grip in your prayers and complaints:
could´t it be better if that was in vain?, you ask...

Guess not,
there´s a brand new game here to play,
so childish, so unholy
but, if you gain it,
you save the day.